Como encontrar bons líderes?

Saber como encontrar bons líderes é um desafio para muitos gestores de equipes. Há muito tempo tenho pesquisado e desenvolvido trabalhos sobre liderança e gestão de pessoas.

Neste período presenciei muitas coisas intrigantes sobre o tema. Uma delas é o fato de haver tanto investimento na formação e desenvolvimento de lideranças, mas pouco resultado prático.

Dave Ulrich afirma em Liderança Orientada para Resultados: “o trabalho do líder exige mais do que caráter, conhecimento e ação; ele também demanda resultados”.

Segundo minhas observações e experiência no assunto um fator tem sido primordial para esta falta de resultados e eficácia dos programas de treinamento e desenvolvimento de lideranças: a falta de coragem dos líderes em assumir seu papel.

Onde estão os bons líderes?

Um dos pressupostos básicos da liderança é a capacidade de tomar a iniciativa e assumir os riscos. Em outras palavras, o líder é aquele que diante do conflito, da dificuldade ou dos problemas toma a frente e assume a responsabilidade, promovendo as ações necessárias ou dirigindo os esforços dos subordinados para tal feito.

Para Kouzes e Posner, no livro O Desafio da Liderança, “as oportunidades de liderança são na verdade aventuras de uma existência e requerem espírito pioneiro. Começar uma nova empresa, reverter uma operação perdida, melhorar intensamente a condição social, aumentar a qualidade de vida – todos são nobres esforços humanos. Esperar uma permissão para começá-los não é uma característica dos líderes. Agir com senso de urgência, sim”.

O desafio de como encontrar bons líderes se revela em um cenário onde o que vemos é um tanto de gente em papel de liderança sem coragem para tomar as decisões necessárias para o bem das empresas, dos funcionários, da sociedade e deles próprios.

Efetivamente sem este senso de urgência, de realização. Escondem-se atrás do manto sagrado do trabalho em equipe.

Nos estudos que tenho realizado junto a empresas de pequeno e médio portes, em grande parte, o medo das pessoas em assumir o risco da liderança está relacionada com a autoestima. Geralmente rebaixada por motivos individuais e coletivos.

Liderar significa correr riscos

Desde criança, em nossa cultura, os pais educam os filhos para não correr riscos. Frases como: “não corra”, “vá devagar para não se machucar”, “não faça isso”, “não faça aquilo” e assim por diante, são constantemente proferidas pelos pais, educadores e outras pessoas próximas. Cria-se um verdadeiro time de covardes.

As atividades coletivas são mais estimuladas que as individuais. As pessoas são estimuladas a não se destacarem individualmente, mas coletivamente. Vemos este tipo de representação nos esportes, nas empresas e em várias atividades sociais.

Os que se destacam por seus próprios méritos são rapidamente invejados ou depreciados por não saberem atuar em equipe, um dogma para nossa civilização ocidental.

Durante o período escolar são incentivadas a trabalhar em grupo, mas poucas vezes valorizadas por realizações individuais. De fato, não existe um trabalho no conceito de liderança. Quando a pessoa se destaca individualmente há a desconfiança de privilégios.

Obviamente que é cômodo colocar a culpa somente na família, na sociedade, na escola e em tudo que é externo. Há a parte que cabe a cada um. O fato de ter sido educado para preferir ficar na zona de conforto não significa que devemos nos acomodar a isso.

Romper esta barreira emocional criada na infância e na adolescência é o grande desafio. Para isso é preciso conhecer as limitações e qualidades que cada um tem. Quem deseja ser um líder precisa ficar atento a isto e sair do paradigma do “sempre foi assim”. Em resumo, assumir o risco.

Assumir o risco significa, em parte, não ser aceito, não ser compreendido, não agradar a todos, não abaixar a cabeça, não aceitar a mediocridade, o erro e o despreparo. Tudo isso tem um preço a ser pago.

Para muitos este preço é muito alto. Pode custar o emprego, a aceitação do grupo, a imagem de boa pessoa e tudo mais, e por isso talvez seja tão difícil encontrar bons líderes.

O conflito de valores e papéis

Lembrando que um dos valores arraigados em nossa sociedade é o de viver bem na coletividade, ser um verdadeiro líder conflita com este estereótipo. Afinal, quem está preparado e predisposto para ir contra este padrão de comportamento?

O verdadeiro líder sabe disso e ainda assim segue em frente. Ele tem a certeza de que seu papel é exatamente o de conduzir aqueles, que por diversos motivos, não tiveram coragem de estar a frente.

Portanto, para ser um verdadeiro líder é necessário conhecer melhor a si mesmo, suas qualidades e fraquezas; transpor as barreiras do medo e da insegurança, trabalhando na sua autoestima; ter propósitos firmes, porém, com humildade para saber mudar e se adaptar sempre que necessário.

  Leia também o artigo O Segredo dos Líderes de Sucesso

Sei que descobrir como encontrar bons líderes continuará a ser um desafio para todos nós, mas se conhecermos um pouco mais sobre os processos de criação destes líderes, talvez a coisa fique um pouco mais fácil. Mantenha-se atualizado assinando a nossa Newsletter.

Por Rogério Martins

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